A cicatriz da Vida

Tenho 24 anos de diferença do meu irmão mais novo.

Foi um bebé muito desejado e na altura já “inesperado”.

Lembro-me perfeitamente daquela noite em que a minha mãe o pegava ao colo e com grande desespero fazia tudo o que podia para o acalmar. O seu choro era aflitivo, ardia em febre e o seu corpo pequenino estava muito vermelho e cheio de pintas pretas.

Aos 14 dias de vida deu entrada de urgência no hospital D. Estefânia. Fez uma mastite onde se alojou o estafilococos.

Durante duas semanas ficou internado, passou pelo bloco operatório e todos os dias a maminha tinha que ser drenada a sangue frio.

Dias de muita aflição e fé.

Na primeira visita que lhe fiz tive a oportunidade de ficarmos sozinhos. Confesso que estava chocada. Tão pequenino naquela cama gigante, cheio de fios e um cateter na cabeça. O seu olhar invadiu a minha alma e transmitiu-me muita calma e confiança.

Enquanto as lágrimas me corriam pela cara ia passando a minha mão na sua carinha pequenita e lembro-me de lhe dizer:

 “Eu sou tão grande e tu tão pequenino. Eu não dependo de ninguém para comer, vestir, andar e tu dependes de todos. Eu só consigo chorar e tu tranquilizas-me. Ainda que me digam que somos «meio irmãos», para mim a única coisa que nos distingue é a força. Tu és uma força da Natureza e um dia ainda nos vamos rir de tudo isto.”

Até que esse dia chegou. 9 anos depois.

Escolheu como prenda de aniversário um fim-de-semana num parque aquático no Algarve. O primeiro fim-de-semana que passou fora de casa sem o miminho da mãe e do pai. Já no parque aquático, observei que sempre que saia da água e ia para a toalha queria vestir-se. Tanto calor! Que confusão que me estava a causar. Eu não estava a perceber. Até que: “Sabes mana, eu não gosto muito da minha cicatriz aqui na maminha. Tenho um bocado de vergonha”

A ferida que tinha que ser drenada todos os dias deixou-lhe uma cicatriz no peito.

Contei-lhe toda esta história que vos escrevo e acrescentei:

“Sabes o que significa para mim essa cicatriz? A tua força e a tua coragem. Sabes o que podes fazer? Sempre que te sentires com medo, ansioso, ou que duvides da tua força passa a mão no teu peito. É tua. Foi a vida que te deu.”

Sorriu e respondeu-me:

“Mana, é a minha marca de guerra!”

Demos uma forte gargalhada.

Hoje tem 11 anos e sei que muita vez recorre à sua «marca de guerra».

Escolheu fazer da sua cicatriz um lindo presente que a vida lhe deu!

Com Amor,

Diana Flor

Professora de Babyoga e Playoga da Escola Babyoga Portugal

“Em 2010 liguei me as terapias alternativas. Comecei a trabalhar com gravidas e crianças através do reiki e medicina chinesa. Achei pouco. Precisava de algo que trabalhasse a conexão entre a mãe, o pai e a criança.

Foi então que em 2014, tinha o meu filho ano e meio, tive conhecimento da escola Babyoga Portugal.

Confesso que quando me inscrevi não sabia “ao que ia”. Não sabia muito bem se me estava a inscrever como Terapeuta ou como mãe. E nem sabia muito bem o que era isto do Babyoga. O que trouxe no primeiro dia de formação foi muito mais do que levei.

Neste momento dou aulas de Babyoga e Playoga em escolas e em vários espaços. Abri o ANANDA, um Estúdio de Yoga em Torres Novas. Faço questão de investir em mim e na minha formação. Tudo flui!”

Acede ao perfil da professora AQUI!

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