Como lidar com a hiperatividade numa aula de yoga

Playoga em Família é uma prática que me cativa desde que sou professora da Escola Babyoga Portugal.

Hoje em dia, vivemos num mundo de stress, num mundo de algumas (muitas) aparências, num mundo de filhos “troféus”, num mundo de pais sem tempo, de famílias algo adormecidas com muitos horários para cumprir e poucos tempos para viver em pleno.

Dar tempo de qualidade a pais e filhos, onde os filtros e as máscaras do dia a dia caem por terra no meio das posturas e da diversão, do bonding que se cria, da sinergia frenética que surpreende quem acredita que o yoga com crianças é algo calmo e sereno, do carinho que se vive e se sente na cumplicidade e no aproximar de corações de pais e filhos… Isto move-me para ser e dar o melhor de mim.

Num dos workshops de Playoga em família que facilitei, fui surpreendida pela presença de um menino diagnosticado com Hiperatividade e mais umas outras quantas coisas. Fui apanhada de surpresa pois foi a primeira vez que tal me aconteceu. Pensei para comigo… “E agora? Como faço? O que mudo? Como consigo?”

Resolvi deixar de pensar. Entrei dentro do meu peito, do meu coração, e a resposta foi uma só: “É uma criança! Que criança resiste ao brincar ainda por cima tendo a mãe por perto para brincar com ele?”

Durante a aula foi um desafio captar a atenção desta criança até ao momento em que lhe dei a liberdade de ser ele a inventar as posturas.

O resultado foi espetacular! Não só este menino criou posturas para dizer qual o seu nome e o que mais gostava de fazer, como também esperou a sua vez para que os outros meninos e pais dissessem o seu nome em posturas.

Foi uma aula em que a mãe desse menino esteve presente e em presença fez a aula de Palyoga, dando o exemplo de diversão pura. No tempo em que a aula durou para este menino, ele teve a possibilidade de observar quem confia e quem tem como modelo e viu a mãe a divertir-se com a sua criança interior.

Confesso que esta aula não teve a duração normal de uma aula que planeio. Confesso que senti dentro de mim necessidade de dar mais e de querer mais da aula. No entanto, no final, tive uma breve conversa com a mãe, que me agradeceu imenso o facto de ter visto o filho interessado e ativamente concentrado na aula de yoga. Isto fez-me repensar o que eu senti.

Afinal, o foco não é o que eu quero ou o que eu acho. O foco está em servir com o melhor de mim o que os outros necessitam e precisam com estas aulas. E esse menino precisava de ter a liberdade de dar asas à sua criatividade criando, por exemplo, as suas próprias posturas de yoga, mesmo que só por meia hora, pois após meia hora, o menino decidiu que não queria fazer mais aula. O objectivo dele estava atingido e, por conseguinte, o meu para com ele, também!

Sou grata por ter tido esta aula e por ter aprendido também a respeitar o timing de meia hora desta criança, que na verdade foi imenso!

Grata por mais esta aprendizagem!

Fátima Mendes

 

Professora Babyoga e Playoga da Escola Babyoga Portugal

“Desde cedo descobri que a criança que vive em mim tem que ser alimentada de alegria música dança movimento e tudo o que isso implica. Trabalhar no mundo Babyoga faz-me sentir que estou no caminho e faz-me sentir viva.

Estou aqui para cuidar de ti e de todas as crianças que cruzam o meu caminho, incluindo aquelas que se escondem dentro dos adultos. Mulher, mãe, sou agora ainda mais eu, com muito mais para entregar nesta atividade que preenche verdadeiramente o corpo, a mente, o coração e a alma.

Estou aqui para cuidar de ti. Bem haja.”

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